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<title>London Talk</title>
<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/</link>
<description>Novidades, curiosidades sobre o cotidiano na capital britÃ¢nica.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Wed, 28 Apr 2010 16:18:10 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Uma eleiÃ§Ã£o curta, discreta e diferente</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/london226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Esta Ã© a primeira eleiÃ§Ã£o britÃ¢nica que estou presenciando desde que me mudei para cÃ¡. Mas se eu nÃ£o fosse jornalista, ligado toda hora na televisÃ£o, internet e jornais, acho bem provÃ¡vel que talvez eu sequer percebesse a campanha eleitoral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A campanha aqui Ã© curta e bastante discreta. AtÃ© o comeÃ§o do mÃªs, a eleiÃ§Ã£o sequer tinha data marcada. No comeÃ§o de abril, o primeiro-ministro Gordon Brown convocou o pleito nacional para o dia 6 de maio. Os eleitores tÃªm um mÃªs para tomar conhecimento das plataformas dos candidatos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nas ruas, nÃ£o existem muitos sinais da campanha. NÃ£o hÃ¡ cartazes colados em todo o canto e nem comÃ­cios e passeatas, como Ã© comum no Brasil. A forma mais visÃ­vel de perceber as eleiÃ§Ãµes sÃ£o os &quot;santinhos&quot; deixados na minha casa, mas confesso que os confundo com a quantidade enorme de propagandas de tele-entrega e pedidos de doaÃ§Ãµes para caridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A grande inovaÃ§Ã£o desta disputa eleitoral tem sido os debates de candidatos na televisÃ£o, que atÃ© este pleito era inÃ©dito aqui. Mesmo sendo comuns no Brasil, eles ainda sÃ£o muito diferentes do que nÃ³s brasileiros estamos acostumados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para os britÃ¢nicos, o debate eleitoral jÃ¡ provocou uma mudanÃ§a grande. GraÃ§as ao seu desempenho no primeiro debate, o liberal-democrata Nick Clegg, um azarÃ£o antes do comeÃ§o da disputa eleitoral, passou a ser um dos favoritos na disputa contra o trabalhista Gordon Brown e o conservador David Cameron.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para mim, a novidade foi ver o quanto Ã© possÃ­vel distinguir as posiÃ§Ãµes de cada candidato em cada um dos assuntos. Nos debates de candidatos Ã  PresidÃªncia que me lembro de ver no Brasil, nem sempre era fÃ¡cil diferenciar as propostas e posiÃ§Ãµes de cada candidato sobre os temas da eleiÃ§Ã£o, tamanha a ambiguidade dos discursos eleitorais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Conversando com alguns amigos britÃ¢nicos, ouvi deles que a maior dificuldade dos eleitores aqui nÃ£o Ã© identificar claramente as ideologias de cada um, mas sim achar o &quot;candidato perfeito&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ou seja, achar o candidato que o eleitor julga ser mais compatÃ­vel com suas ideias nos principais temas - economia, impostos, AfeganistÃ£o e Iraque, UniÃ£o Europeia e imigraÃ§Ã£o. Nick Clegg e Gordon Brown, por exemplo, tÃªm posturas mais comuns entre si do que David Cameron quando o assunto Ã© integraÃ§Ã£o britÃ¢nica na UniÃ£o Europeia. Mas sobre o programa nuclear britÃ¢nico, Brown estÃ¡ mais prÃ³ximo de Cameron. O problema de se achar o candidato ideal, para meus amigos britÃ¢nicos, Ã© quase matemÃ¡tico: quem somar mais pontos ganha o voto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outra particularidade daqui Ã© a dificuldade de se escolher entre interesses locais das nacionais. Na hora de votar, o eleitor escolhe apenas o polÃ­tico que representarÃ¡ o seu distrito no Parlamento, cabendo ao Legislativo depois escolher o primeiro-ministro. O partido com maioria elege o primeiro-ministro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em alguns casos, o eleitor pode ficar diante de um dilema, se ele tiver simpatia pelo candidato a primeiro-ministro de um partido, mas nÃ£o gostar do candidato ao Parlamento que representa aquele partido no seu distrito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por fim, um elemento raro desta disputa eleitoral Ã© a imprevisibilidade. A cada semana, as projeÃ§Ãµes de resultados mudam, e hoje, a uma semana do pleito, nÃ£o hÃ¡ indÃ­cios claros do que vai acontecer. AliÃ¡s, o voto nÃ£o Ã© obrigatÃ³rio, entÃ£o nÃ£o se sabe nem exatamente quantos eleitores terÃ£o disposiÃ§Ã£o para ir Ã s urnas na quinta-feira, dia 6 de maio.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/04/uma_eleicao_curta_discreta_e_d.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 16:18:10 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Verdadeiramente ilhados</title>
	<description>&lt;p&gt;Costumo dizer que viajar de aviÃ£o Ã© uma dessas situaÃ§Ãµes Ãºnicas em que nÃ£o temos controle nenhum sobre nossas vidas. Somos obrigados a cumprir com horÃ¡rios e regras, nos deixamos levar por ordens das mais descabidas, perdemos nossos pertences de vista e, finalmente, confiamos nossa existÃªncia a ilustres desconhecidos, que, como nÃ³s, alguns dias estÃ£o de bem com seus trabalhos, outros dias nem tanto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;heathrow226d.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/heathrow226d.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Diante disso, nÃ£o ajuda nada o fato de a GrÃ£-Bretanha ser uma ilha. AviÃ£o aqui nÃ£o sÃ³ Ã© a maneira mais rÃ¡pida de se chegar a outros paÃ­ses, como tambÃ©m Ã© a mais prÃ¡tica e a mais barata.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Basta, entÃ£o, fazer a matemÃ¡tica. Ter que viajar de aviÃ£o + nÃ£o ter controle sobre a viagem = virar refÃ©m do que os outros querem e decidem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E agora as autoridades britÃ¢nicas decidiram que as cinzas lanÃ§adas por um vulcÃ£o na IslÃ¢ndia representam um risco para os aviÃµes. NinguÃ©m entra, ninguÃ©m sai.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu pai, que voltaria a Londres ontem Ã  noite apÃ³s um giro pelo Leste Europeu, nÃ£o entrou. Meu marido, que partiria para o sul da FranÃ§a a trabalho, nÃ£o saiu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se fosse sÃ³ isso, estava razoÃ¡vel. Mas ambos perderam a quinta-feira tentando achar caminhos alternativos para chegar onde precisavam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu pai, entusiasta de aviÃµes, aviaÃ§Ã£o e companhias aÃ©reas, estava lidando com a situaÃ§Ã£o calmamente. Depois de uma viagem de quatro horas de Praga a Berlim, foi atÃ© o aeroporto da capital alemÃ£, onde descobriu que sÃ³ conseguiria embarcar no sÃ¡bado. Ele ainda tentou achar voos e trens para Paris ou Bruxelas, mas estava tudo lotado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu marido, que jÃ¡ sobreviveu a um pouso de emergÃªncia e, obviamente, odeia voar, estÃ¡ atÃ© hoje inconformado. Tinha uma passagem de uma companhia aÃ©rea low-cost, cujos website e linhas telefÃ´nicas nÃ£o funcionavam para que ele pudesse remarcar seu voo. Quando finalmente conseguiu, nÃ£o havia mais lugares para nenhum dia atÃ© a segunda-feira, quando jÃ¡ teria que estar na FranÃ§a para dar uma palestra de manhÃ£ cedo. A opÃ§Ã£o de ir de trem se dificultou por uma greve geral dos ferroviÃ¡rios franceses e pelas poucas passagens a preÃ§os atÃ© quatro vezes mais altos que o normal. A saÃ­da foi simplesmente desistir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu, por tabela, estou sofrendo tambÃ©m. Agora que a nuvem de cinzas estÃ¡ chegando Ã  Alemanha, comeÃ§o a duvidar se meu pai estarÃ¡ aqui para o almoÃ§o de domingo. Ou pior: para o voo que parte para o Brasil na terÃ§a-feira que vem. Meu marido, ao ter de cancelar a palestra, praticamente fechou a porta para uma importante colaboraÃ§Ã£o em sua carreira.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sei que o fenÃ´meno das cinzas pegou a Europa toda de surpresa, e que nÃ£o voar Ã© uma decisÃ£o crucial para a seguranÃ§a dos passageiros. Mas o que me impressiona Ã© como os aviÃµes ainda estÃ£o submetidos Ã s chamadas &quot;forÃ§as da natureza&quot; - e como nÃ³s dependemos cada vez mais deles.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/04/verdadeiramente_ilhados.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/04/verdadeiramente_ilhados.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 16 Apr 2010 13:27:32 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O metrÃ´ nosso de cada dia</title>
	<description>&lt;p&gt;O metrÃ´ de Londres, ou &quot;tube&quot;, como Ã© carinhosamente chamado na cidade, Ã© presenÃ§a constante na vida dos moradores da cidade. Com um dos sistemas mais movimentados do mundo, ele transporta cerca de um bilhÃ£o de passageiros por ano. NÃ£o Ã© a toa que, na hora do rush, ele se assemelha muito a uma lata de sardinhas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas apesar da lotaÃ§Ã£o, o metrÃ´ Ã© a verdadeira mÃ£o na roda para quem quer chegar a algum lugar. Com 270 estaÃ§Ãµes, ele chega a quase todos os cantos da grande Londres e, onde nÃ£o chega, em geral tem uma conexÃ£o por Ã´nibus ou trem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo isso Ã© bom, mas para mim, a melhor coisa do metrÃ´ Ã© olhar as pessoas e o modo como elas tomam conta do espaÃ§o. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dependendo do horÃ¡rio, o pÃºblico Ã© completamente diferente. Os engravatados da manhÃ£, classes inteiras de escola primÃ¡ria com suas professoras durante a tarde, os bÃªbados depois da happy hour, os festeiros da noite... todos circulam, em geral, com um livro ou jornal na mÃ£o e sem olhar uns para os outros. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;tube226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/tube226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns anos atrÃ¡s, o prefeito de Londres, Boris Johnson, chegou a proibir o consumo de bebidas alcÃ³olicas a bordo e, na vÃ©spera da decisÃ£o entrar em vigor, os mais animados convocaram uma mega festa, conclamando todos a comparecerem com suas latinhas de cerveja nos vagÃµes!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nos fins de semana, o cenÃ¡rio muda, com os turistas tomando conta. Eu jÃ¡ vi gente sem sapato e cheio de ressaca, voltando para casa no sÃ¡bado de manhÃ£ (os trens param de circular por volta da meia noite, deixando muita gente &quot;de castigo&quot;). Uma delas, inclusive, dormia enconstada na parede, chupando o dedo... &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;TambÃ©m jÃ¡ vi casais de black tie indo para a Ã“pera e eu mesma jÃ¡ peguei o tube toda embecada para ir a um casamento. Isso tudo convive com os cachorros citados pela Maria Luisa Cavalcanti (sim, eles tambÃ©m andam de metrÃ´), os mendigos que pedem esmolas nas escadas, os ativistas fazendo campanha, os corredores de qualquer maratona realizada na cidade e os torcedores de praticamente todos os times de futebol.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ouve-se tudo quanto Ã© lÃ­ngua, nÃ£o sÃ³ de turistas mas tambÃ©m de muitos moradores desta cidade tÃ£o multi-cultural e acompanhar as conversas em portuguÃªs de outros lusÃ³fonos desavisados Ã© uma das minhas diversÃµes prediletas. AtÃ© cantadas jÃ¡ vi, e nÃ£o Ã© para menos. Com tanta gente circulando todos os dias, numa proximidade maior do que o comum, a brecha se abre...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;AlÃ©m dos passageiros, no entanto, os motoristas tambÃ©m ocupam seu espaÃ§o. Pelo alto-falante, eles tentam botar ordem na turba, com o fino humor britÃ¢nico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outro dia, um passageiro foi envergonhado em pÃºblico, por segurar a porta do trem. Do sistema de alto-falantes veio a voz: &quot;por favor, vocÃª que estÃ¡ segurando a porta, largue-a. VocÃª estÃ¡ botando a seguranÃ§a do trem em risco e nÃ£o nos deixa sair do lugar&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A frustraÃ§Ã£o tambÃ©m vem Ã  tona, como no dia em que uma estaÃ§Ã£o estava fechada e o motorista anunciou, visivelmente irritado: &quot;Sinto muito em informar que a prÃ³xima estaÃ§Ã£o estÃ¡ fechada e nÃ£o vamos parar nela. Sei o quÃ£o frustrante Ã© saber disso apenas na Ãºltima hora, e tambÃ©m nÃ£o consigo entender por que ninguÃ©m avisou a gente antes&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Num dos momentos &quot;lata de sardinha&quot;, o comentÃ¡rio veio, com voz calma e paciente: &quot;Por favor, senhores passageiros, queiram se mover para onde hÃ¡ espaÃ§o dentro do vagÃ£o. E nÃ£o tenham medo, um estranho Ã© apenas um amigo que vocÃª ainda nÃ£o conheceu&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ã‰ nessas horas que os passageiros, normalmente ensimesmados, de repente se olham e riem juntos da piada... e aÃ­ rola de novo a brecha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Portanto, a dica Ã©: se vier a Londres, na hora de pegar o metrÃ´ (que vocÃª certamente vai pegar), nÃ£o faÃ§a como os passageiros de sempre e olhe bem em volta. Tem sempre uma cena divertida. Se vocÃª jÃ¡ tiver presenciado, envie para a gente sua histÃ³ria!&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Babeth Bettencourt </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/03/o_metro_nosso_de_cada_dia.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 14:52:40 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Londres no PaÃ­s das Maravilhas</title>
	<description>&lt;p&gt;Que Oscar, que nada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste fim-de-semana, o filme que deve dar o que falar aqui em Londres Ã© &lt;em&gt;Alice no PaÃ­s das Maravilhas&lt;/em&gt;, do cineasta Tim Burton.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;NÃ£o sÃ³ porque a fita estreia nesta sexta-feira. AlÃ©m dos cinemas, tambÃ©m teatros, museus, lojas, restaurantes e atÃ© casas noturnas da cidade prepararam eventos especiais sobre o tema.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;alice283.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/alice283.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um dos mais pitorescos Ã© o ChÃ¡ da Tarde do Chapeleiro Maluco, servido no luxuoso Sanderson Hotel atÃ© o fim deste mÃªs. Os chefs prometem um &quot;twist&quot; no tradicional chÃ¡ britÃ¢nico, com bolinhos da Rainha de Copas, pirulitos de abacaxi que mudam de temperatura na boca e picolÃ©s que explodem ao tocar a lÃ­ngua.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste fim-de-semana, clubs organizam festas em que sÃ³ entra quem for a carÃ¡ter (concursos de chapÃ©us e &quot;melhores Alices&quot; serÃ£o inevitÃ¡veis). E atÃ© o centro cultural Barbican vai fazer uma balada mais cedo, tambÃ©m dedicada ao mundo criado por Lewis Carroll.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os fÃ£s de carteirinha da obra podem ver o manuscrito original do autor, datado de 1862, em exibiÃ§Ã£o na British Library atÃ© o mÃªs de junho. TambÃ©m estÃ£o expostos ali croquis originais dos figurinos de Colleen Atwood para o filme de Tim Burton, diÃ¡rios de Lewis Carroll e desenhos de Salvador DalÃ­ sobre o livro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Alice no PaÃ­s das Maravilhas&lt;/em&gt; tambÃ©m inspirou as vitrines da cidade, com roupas, acessÃ³rios e peÃ§as de decoraÃ§Ã£o abusando das cores fortes e dos naipes do baralho. A mega loja de departamentos Selfridges dedica atÃ© uma sala especial para os artigos Ã  venda, como um novo perfume assinado por Alice Temperley e joias criadas por Stella McCartney.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ã‰ difÃ­cil prever quanto tempo a febre vai durar. Mas Londres parece estar gostando de ter alguns dias fora do comum.  &lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/03/londres_no_pais_das_maravilhas.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 12:15:21 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Minhas duas eleiÃ§Ãµes</title>
	<description>&lt;p&gt;Como cidadÃ£ com dupla nacionalidade, estou me vendo neste ano em uma situaÃ§Ã£o peculiar: votar em duas grandes eleiÃ§Ãµes para escolher os lÃ­deres dos meus paÃ­ses.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Coincidentemente, esses dois paÃ­ses vÃ£o Ã s urnas para decidir se dÃ£o continuidade aos muitos anos de mandatos da esquerda ou se preferem ver mudanÃ§as no poder.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;TambÃ©m nos dois, a corrida eleitoral jÃ¡ comeÃ§ou hÃ¡ tempos, com os prÃ©-candidatos fazendo suas campanhas, os institutos de pesquisa oferecendo simulaÃ§Ãµes dos resultados, os analistas polÃ­ticos traÃ§ando este ou aquele cenÃ¡rio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas as semelhanÃ§as param por aqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No Brasil, por mais desanimada que seja uma campanha, nÃ£o hÃ¡ como fugir dela: temos propaganda eleitoral gratuita, cartazes e pixaÃ§Ãµes, conversas na padaria e na fila do Ã´nibus, gente fazendo boca-de-urna, carreatas. De alguma maneira ou de outra, vocÃª vai acabar falando de polÃ­tica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqui na GrÃ£-Bretanha nÃ£o tem nada disso. Uma pessoa nÃ£o muito interessada em polÃ­tica pode passar Ã  margem do assunto e ir tocando a vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para o eleitor britÃ¢nico, o sinal da proximidade de uma votaÃ§Ã£o Ã© uma carta que o registro eleitoral manda para confirmar que naquele endereÃ§o hÃ¡ &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; pessoas habilitadas a votar. Eles aproveitam e perguntam tambÃ©m se vocÃª quer votar por correio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora, com as eleiÃ§Ãµes parlamentares previstas para maio, tenho recebido folhetos e mais folhetos dos candidatos da minha &quot;constituency&quot; (ou distrito eleitoral, que no meu caso engloba dois bairros do norte de Londres). Eles dizem o que conseguiram fazer pela comunidade local nos Ãºltimos anos e o que querem fazer se forem eleitos. O candidato conservador do meu bairro aproveitou tambÃ©m para dizer que ele Ã© o Ãºnico capaz de derrotar a atual MP trabalhista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os possÃ­veis novos primeiros-ministros, o atual Gordon Brown e o rival David Cameron, dÃ£o entrevistas a vÃ¡rios Ã³rgÃ£os de imprensa, rodam o paÃ­s para fazer o &quot;corpo a corpo&quot; com o eleitorado, dÃ£o opiniÃ£o sobre tudo. Pela primeira vez na histÃ³ria, farÃ£o um debate frente a frente. Mas o clima de &quot;jÃ¡ ganhou&quot; dos conservadores esvazia a eleiÃ§Ã£o britÃ¢nica de emoÃ§Ãµes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O voto aqui nÃ£o Ã© obrigatÃ³rio e eu, que saÃ­ do Brasil hÃ¡ tantos anos, poderia fazer como vÃ¡rias pessoas que conheÃ§o e simplesmente justificar minha ausÃªncia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas como filha de pais que sÃ³ votaram pela primeira vez aos 45 anos, estou contente de poder votar em dose dupla.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O chato daqui vai ser mandar minha escolha pelo correio, sem aquela emoÃ§Ã£o de ir atÃ© a seÃ§Ã£o eleitoral e digitar o voto na urna, dar uma olhada no movimento, ouvir o que as pessoas estÃ£o dizendo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda bem que no fim do ano, tenho meu dia de ir Ã  embaixada brasileira. A fila em 2006 foi bem maior que em 2002, e este ano acho que vai estar ainda maior. Mas tudo bem, compenso nas barracas de pastel montadas por ali.&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/02/minhas_duas_eleicoes.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/02/minhas_duas_eleicoes.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 16:29:18 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>PrÃ³xima estaÃ§Ã£o: pronto-socorro?</title>
	<description>&lt;p&gt;Desde que virei mÃ£e, passei a fazer parte de um pequeno exÃ©rcito que luta por um espaÃ§o de 1 x 2 metros no canto dos Ã´nibus.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De um lado, nÃ³s, andarilhas munidas de nossos carrinhos e nossos bebÃªs, geralmente sobrecarregadas de sacolas de supermercado, brinquedos, bolsa de fraldas e nossos prÃ³prios pertences. Do outro, senhoras com seus carrinhos de feira, estudantes com malas, outras mÃ£es com dois ou trÃªs filhos grandes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;metrodentro226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/metrodentro226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Recentemente, comecei a perceber a presenÃ§a de outros combatentes. Estes, armados pesadamente, desequilibrando a guerra: os donos de cachorro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pelas regras, eles deveriam ocupar esse tal canto, sem deixar seus bichos sentarem nos bancos nem obstruÃ­rem as portas. Mas diante da competiÃ§Ã£o ferrenha, muitos desistem da disputa e levam os animais para o andar de cima ou para o &quot;fundÃ£o&quot;. Ali se esparramam e deixam, sim, os cÃ£es colocarem as quatro patas nas cadeiras.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E nÃ£o Ã© sÃ³ nos Ã´nibus que eles andam. JÃ¡ vi cachorro no metrÃ´ e nos trens, em uma situaÃ§Ã£o que para mim Ã© ainda mais intimidadora: e se, entre uma estaÃ§Ã£o e outra, naquele vagÃ£o hermeticamente fechado, o bicho resolve ter um chilique?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pedi ao Transport for London, que administra toda a rede de transporte pÃºblico da cidade, mais informaÃ§Ãµes sobre a permissÃ£o para cachorros como passageiros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Segundo a empresa, os bichos tÃªm que estar presos pela coleira e nÃ£o podem se sentar nos bancos. AlÃ©m disso, qualquer funcionÃ¡rio, motorista ou condutor tem autoridade para recusar um cachorro a bordo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A Transport for London diz ainda que em bilhÃµes de viagens realizadas a cada ano no metrÃ´, os incidentes sÃ£o raros, com &quot;apenas quatro pessoas mordidas desde 2007&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na prÃ¡tica, no entanto, parece que nÃ£o Ã© bem assim. NÃ£o Ã© preciso ser mordido para que a experiÃªncia seja traumÃ¡tica. Uma rÃ¡pida conversa com os colegas aqui da Âé¶¹Éç Brasil mostrou que, como eu, ninguÃ©m se sente Ã  vontade com os cachorros no transporte pÃºblico. E vocÃª?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/02/desde_que_virei_mae_passei.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 15:27:18 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Haiti mobiliza britÃ¢nicos e atÃ© os &quot;amantes do vinho&quot;</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;haiti.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/haiti.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;A levar em conta o envolvimento do Brasil no Haiti, imagino que a terrÃ­vel notÃ­cia do terremoto em Porto PrÃ­ncipe tenha corrido o paÃ­s como fogo em rastro de pÃ³lvora. Mas por aqui, tenho a impressÃ£o de que o efeito foi um pouco retardado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ã€ parte os EUA e as ex-colÃ´nias britÃ¢ncias do Caribe, o resto das AmÃ©ricas sÃ£o, para a maior parte dos britÃ¢nicos, um destino longÃ­nquo do globo.  O Haiti, um paÃ­s pobre com forte ligaÃ§Ã£o com a FranÃ§a em vez da GrÃ£-Bretanha, nÃ£o era diferente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um fato comentado aqui na redaÃ§Ã£o, nos primeiros dias apÃ³s a tragÃ©dia, as matÃ©rias sobre o Haiti continuavam sendo menos lidas do que as que falavam do Sudeste AsiÃ¡tico ou o Oriente MÃ©dio, apesar de a Âé¶¹Éç martelar sobre o tema 24h por dia em seu noticiÃ¡rio. AliÃ¡s, a imprensa em geral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas, parecia, a ficha simplesmente nÃ£o tinha caÃ­do para o cidadÃ£o comum.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A coisa mudou ao longo da semana, Ã  medida que os paÃ­ses se mobilizavam para prestar ajuda, os repÃ³rteres comeÃ§avam a mandar material de Porto PrÃ­ncipe e a agonia dos haitianos Ã  espera de auxÃ­lio deixavam claras as dificuldades intrÃ­nsecas Ã  tarefa de salvamento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No fim da semana,  o Haiti, a bem dizer, entrou no dia-a-dia de muita gente. Alguns amigos que conheÃ§o foram rÃ¡pidos em doar recursos para a Cruz Vermelha, para quem atÃ© o governo britÃ¢nico destinou a primeira parcela de US$ 10 milhÃµes que foram prometidos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outras iniciativas de mobilizaÃ§Ã£o chegaram por vias, pelo menos para mim, inesperadas. Minha operadora de telefone, a Orange, enviou aos seus clientes uma mensagem Ã  qual bastava responder para contribuir automaticamente com 2,5 libras (um pouco mais de R$ 7) para os esforÃ§os da Unicef no Haiti.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O site TripAdvisor, de viagens e turismo, repassou um email a todos os seus usuÃ¡rios ensinando como e para quem doar fundos. Como o britÃ¢nico Ã© uma subseÃ§Ã£o do americano, imagino que algo semelhante tenha ocorrido do outro lado do AtlÃ¢ntico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E a mais original das mobilizaÃ§Ãµes que eu vi atÃ© agora estÃ¡ se dando atravÃ©s de um site de vinhos, o Wineloverspage.com, que na verdade tambÃ©m Ã© americano.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
O proprietÃ¡rio do site organizou uma rifa na qual, para entrar, Ã© preciso doar pelo menos US$ 30  para alguma organizaÃ§Ã£o humanitÃ¡ria diretamente envolvida na assistÃªncia Ã s vÃ­timas.  Segundo o site, uma iniciativa semelhante na Ã©poca do furacÃ£o Katrina, que destruiu Nova Orleans, levantou mais de US$ 10 mil.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os participantes da rifa concorrem a sensacionais garrafas de Bordeaux das Ãºltimas quatro dÃ©cadas (uma garrafa de cada dÃ©cada, de 1970 aos anos 2000) mantidas pelo proprietÃ¡rio em sua adega. &quot;Vamos sair um pouco do agradÃ¡vel mundo do vinho para incentivar os apreciadores a ajudar o Haiti&quot;, diz o email.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na prÃ¡tica, grande parte dos amantes do vinho nÃ£o apenas estÃ£o doando muito mais do que US$ 30 por cabeÃ§a - a maioria creio jÃ¡ ter gasto mais que isso em uma garrafa de vinho - como tambÃ©m adicionando suas prÃ³prias garrafas Ã  rifa, criando prÃªmios secundÃ¡rios, terciÃ¡rios, etc, para atrair mais contribuiÃ§Ãµes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;SÃ£o iniciativas pequenas, mas de coraÃ§Ã£o, ou pelo menos me parecem. Ainda mais significativa porque quem acompanhava a lenta melhora em alguns indicadores do Haiti apÃ³s tantos anos de conflitos polÃ­ticos nÃ£o pÃ´de deixar de se comover. Por que logo o Haiti? E por que algo tÃ£o devastador?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;SensaÃ§Ã£o bem resumida pela revista &lt;i&gt;Economist&lt;/i&gt;, que nÃ£o Ã© nem um pouco dada a dramaticidades: &quot;Se hÃ¡ um paÃ­s nas AmÃ©ricas que nÃ£o pode se permitir sofrer um desastre natural, Ã© o pobre e politicamente frÃ¡gil Haiti&quot;, escreveu a revista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&quot;No entanto, o terremoto que atingiu Porto PrÃ­ncipe pouco antes das 5h da tarde do dia 12 de janeiro foi um golpe ainda mais cruel.&quot;&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/01/o_haiti_e_a_mobilizacao_dos_br.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 12:59:12 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Neve em Londres: transtorno para os pais</title>
	<description>&lt;p&gt;Como todo brasileiro, acho a neve uma coisa de outro planeta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda me lembro da minha primeira neve em Londres, em 2003, quando eu e minha colega FlÃ¡via Nogueira (hoje na redaÃ§Ã£o da Âé¶¹Éç Brasil em SÃ£o Paulo, curtindo a vida a dezenas de graus acima de zero) aproveitamos a hora do almoÃ§o e fomos fazer guerrinha de bolas de neve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma surpresa para mim, no entanto, foi descobrir que os britÃ¢nicos, como nÃ³s, tambÃ©m se deslumbram com a neve. Ã‰ que os invernos por aqui costumam ser pouco frios, se comparados com outros paÃ­ses da Europa e com a AmÃ©rica do Norte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;criancas.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/criancas.jpg&quot; width=&quot;452&quot; height=&quot;340&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso mesmo, a GrÃ£-Bretanha nÃ£o se prepara para lidar com a neve. Os governos nacionais e locais dizem que nÃ£o vale a pena investir em recursos como limpeza das calÃ§adas, melhoria dos transportes e tal, porque quase nunca neva. Mas quando ela vem, tudo vira um caos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/01/100107_friovideoebc.shtml&quot;&gt;A falta de transportes pÃºblicos, os bloqueios nas estradas, os acidentes&lt;/a&gt;, tudo isso tem sido tema de reportagens na Âé¶¹Éç Brasil e aqui no London Talk.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas outro problema que tem afetado cada vez mais a mim e outros colegas da Âé¶¹Éç Brasil aqui em Londres Ã© o fechamento das escolas. Sim, porque agora a maioria das escolas simplesmente decidiu que nÃ£o vai funcionar se houver neve e gelo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quem depende de deixar filho na escola para poder ir trabalhar tem de faltar ao trabalho. E quem tem filho pequeno que ainda frequenta a creche, como eu, tambÃ©m tem que se ajustar porque os funcionÃ¡rios da creche tÃªm filhos na escola e tÃªm de faltar ao trabalho. Uma corrente de &quot;nÃ£o posso ir porque nÃ£o tenho onde deixar meu filho&quot;, entendeu?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O problema passou a atingir tanta gente que &lt;a href=&quot;http://news.bbc.co.uk/1/hi/education/8448262.stm&quot;&gt;as escolas foram bastante criticadas nestes Ãºltimos dias&lt;/a&gt;. E, com a previsÃ£o de que estamos tendo apenas uma amostra do que serÃ¡ este inverno, a Ãºnica coisa que deve esquentar por aqui serÃ¡ este debate: o que dÃ¡ Ã s escolas o direito de simplesmente fechar e deixar tanta gente na mÃ£o?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pelo menos, nos fins de semana, dÃ¡ para curtir o lado bom da neve. Guerreiros de bolinhas, me aguardem.&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/01/londres_abaixo_de_zero.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2010/01/londres_abaixo_de_zero.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 14:23:10 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Mais um dia de caos em Londres</title>
	<description>&lt;p&gt;Nunca deixo de me espantar com a falta de preparo de Londres contra a neve. A impressÃ£o que eu tenho Ã© que qualquer neve, por menor que seja, jÃ¡ transforma a cidade em um cenÃ¡rio daqueles filmes de catÃ¡strofe, Ã  la Hollywood.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No inverno passado, &lt;a href=&quot;http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/02/090202_grabretanhaneveml.shtml&quot;&gt;no dia 2 de fevereiro&lt;/a&gt;, a cidade ficou completamente paralisada pela neve que caiu durante a madrugada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london226s.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/london226s.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Naquela ocasiÃ£o, todo o transporte pÃºblico foi cancelado e apenas os serviÃ§os essenciais funcionaram. Grande parte das pessoas sequer saiu de casa. JustiÃ§a seja feita, aquela tinha sido a maior nevasca do sudeste da GrÃ£-Bretanha em 18 anos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesta segunda-feira, a neve voltou a parar a cidade. Desta vez, caiu muito menos neve, mas novamente o estrago foi enorme. Acho que talvez tenha sido atÃ© um pouco pior do que a nevasca histÃ³rica, pois ela caiu Ã  tarde, quando muitas pessoas jÃ¡ estavam no trabalho e nÃ£o tiveram a opÃ§Ã£o de ficar em casa. Ã€ noite, as ruas estavam tomadas de pessoas querendo voltar para casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;SaÃ­ do trabalho Ã s 19h30 de ontem e fui tentar pegar o Ã´nibus. Antes de sair, consultei o site da secretaria de Transportes de Londres que, naquela hora, informou que quase tudo estava funcionando normalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;InformaÃ§Ã£o completamente falsa. Ao sair, a primeira parada que vi no centro da cidade tinha, no mÃ­nimo, 70 pessoas aglomeradas Ã  espera do Ã´nibus. Na rua, pouquÃ­ssimos carros circulavam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Resolvi nÃ£o perder tempo e comecei a caminhar os seis quilÃ´metros que separam o trabalho da minha casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No trecho inicial, perto do rio TÃ¢misa, o que vi foram centenas de pessoas nas paradas de Ã´nibus - inclusive vÃ¡rios idosos, gestantes e pessoas com cadeiras de roda, sem opÃ§Ã£o para chegar em casa e aguentando temperaturas prÃ³ximas de zero. Os poucos tÃ¡xis que circulavam jÃ¡ estavam ocupados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqueles que, como eu, se aventuraram pelas ruas, tiveram que combinar a caminhada com patinaÃ§Ã£o, jÃ¡ que vÃ¡rias calÃ§adas ficaram cobertas com uma fina camada de gelo. Cheguei ileso em casa, mas vi quatro tombos ao longo do caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;eurostar226s.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/eurostar226s.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;No trecho mais prÃ³ximo da minha casa, o cenÃ¡rio era o inverso. O congestionamento de carros e Ã´nibus era quilomÃ©trico e as paradas estavam vazias. Ultrapassei mais de 15 Ã´nibus a pÃ©. A maioria nÃ£o transportava passageiros, jÃ¡ que as pessoas perceberam que caminhar seria mais rÃ¡pido. Nas calÃ§adas, uma romaria de pedestres se juntou a mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;PrÃ³ximo da minha casa, todas as ruas estavam paradas devido a um grave acidente de carro. Na minha rua, vi trÃªs carros deslizando lentamente pelo gelo, completamente sem controle. Por sorte (ou milagre) ninguÃ©m se machucou nesse perigoso balÃ©.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;SÃ³ fui ter a dimensÃ£o real do caos na cidade quando - ao chegar em casa apÃ³s uma hora e meia de &quot;patinaÃ§Ã£o no gelo cross-country&quot; - vi pela televisÃ£o as notÃ­cias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns aeroportos fecharam; a British Airways cancelou 24 de 27 voos em Heathrow. Estradas na capital ficaram paradas - primeiro devido ao congestionamento causado pela neve e depois devido Ã s centenas de carros que foram abandonados em plena pista (as autoridades pediram para os motoristas deixarem bilhetes com seus telefones no vidro do carro).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Eurostar - serviÃ§o de trem entre Paris e Londres - estÃ¡ parado desde a semana passada, tambÃ©m devido a um problema relacionado Ã  neve. O clima na estaÃ§Ã£o de St. Pancras, de onde partem os trens, Ã© de desespero e revolta popular.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu prejuÃ­zo foi pequeno atÃ©. Em vez dos 50 minutos que levo geralmente de Ã´nibus ou bicicleta atÃ© a minha casa, precisei de uma hora e meia. Para outros colegas aqui da Âé¶¹Éç Brasil, o drama foi maior. Alguns precisaram de mais de duas horas - mais do que o dobro do tempo normal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por que a cidade para assim? A impressÃ£o que eu tenho Ã© que ninguÃ©m sabe explicar com certeza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um motivo comum apontado pela imprensa Ã© a falta de caminhÃµes de neve - que desobstruem as estradas e espalham sal e areia para aumentar o atrito nas pistas. Uma repÃ³rter da TV disse ter andado dezenas de quilÃ´metros em Londres e visto apenas um caminhÃ£o em toda a cidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ã‰ incrÃ­vel que a cidade fique nesse estado por tÃ£o pouco. A neve que caiu ontem nÃ£o foi nada de extraordinÃ¡rio. &lt;a href=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/esporte/2009/12/o_bairro_pobre_e_a_olimpiada.shtml&quot;&gt;Uma cidade que estÃ¡ investindo tanto para receber as OlimpÃ­adas em 2012&lt;/a&gt; - que acontecerÃ£o no verÃ£o - talvez pudesse pensar um pouco tambÃ©m na sua infra-estrutura para aguentar o inverno.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london2_466.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/london2_466.jpg&quot; width=&quot;466&quot; height=&quot;262&quot; class=&quot;mt-image-center&quot; style=&quot;text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/12/mais_um_dia_de_caos_em_londres.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 13:41:38 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Bibliotecas pÃºblicas e a voz da comunidade</title>
	<description>&lt;p&gt;Esses dias eu percebi que um hÃ¡bito de consumo meu mudou muito desde que me mudei para Londres. Eu praticamente parei de comprar livros aqui. Neste ano, sÃ³ comprei dois livros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;library226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/library226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-none&quot; style=&quot;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;No entanto, 2009 foi um ano em que li vÃ¡rios livros - de clÃ¡ssicos a lanÃ§amentos recentes. O motivo disso sÃ£o as excelentes bibliotecas pÃºblicas de Londres. Ã‰ difÃ­cil achar defeitos nas bibliotecas daqui. Os catÃ¡logos sÃ£o atualizadÃ­ssimos, quase sempre com vÃ¡rias cÃ³pias dos Ãºltimos lanÃ§amentos do mercado. Os prazos sÃ£o flexÃ­veis (trÃªs semanas por livro), com multas baixas e possibilidade de renovaÃ§Ã£o pela internet.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Caso vocÃª nÃ£o encontre um livro na sua biblioteca, mas que estÃ¡ disponÃ­vel em outra do mesmo bairro, Ã© possÃ­vel encomendÃ¡-lo via internet para que ele seja retirado na biblioteca mais prÃ³xima da sua casa. Eu, que moro na fronteira de dois bairros de Londres - Lambeth e Southwark -, ainda tenho a vantagem de poder explorar os catÃ¡logos dos dois bairros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Isso sem falar no vasto catÃ¡logo de CDs e DVDs, que sÃ£o alugados a baixos preÃ§os. Isso explica por que hÃ¡ tÃ£o poucas locadoras de filmes em Londres. Ã‰ impossÃ­vel competir com a biblioteca pÃºblica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;AlÃ©m disso, as bibliotecas se esforÃ§am para unir pessoas de interesses comuns na comunidade. HÃ¡ mais de um ano, minha esposa e eu estamos frequentando um grupo de leitores de quadrinhos. Nunca fui um grande fÃ£ das &quot;graphic novels&quot;, mas confesso que graÃ§as ao grupo conheci vÃ¡rios quadrinhos com qualidade superior a de muitos livros da literatura clÃ¡ssica, como a sÃ©rie &lt;em&gt;Love &amp; Rockets&lt;/em&gt;, dos irmÃ£os Hernandez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pois foi frequentando o grupo de quadrinhos que tive uma inusitada experiÃªncia de participaÃ§Ã£o polÃ­tica nas decisÃµes da comunidade daqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;HÃ¡ dois meses, os administradores das bibliotecas de Lambeth decidiram encerrar as atividades do grupo de quadrinhos do qual eu participo. Na visÃ£o deles, nÃ£o havia necessidade de pagar hora extra para o funcionÃ¡rio que organizava os encontros. As reuniÃµes acontecem uma vez por mÃªs Ã s 19h30, o Ãºnico horÃ¡rio possÃ­vel para quem trabalha durante o dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;NÃ³s nÃ£o aceitamos uma possÃ­vel troca de horÃ¡rio e o funcionÃ¡rio disse que, nesse caso, nÃ£o havia nada que ele pudesse fazer para salvar o grupo, que teria de ser encerrado. Mas ele sugeriu que nÃ³s, os usuÃ¡rios do serviÃ§o, poderÃ­amos enviar cartas e e-mails para protestar contra a decisÃ£o.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Depois de trÃªs e-mails enviados, a biblioteca recuou da decisÃ£o e optou por continuar com o encontro no horÃ¡rio marcado, arcando com os custos de se manter as reuniÃµes naquele horÃ¡rio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ficamos contentes com a decisÃ£o, porque o grupo faz um trabalho de alta qualidade ao longo dos Ãºltimos quatro anos e com grande participaÃ§Ã£o de pessoas da comunidade. Com ajuda de outros grupos de quadrinhos de Londres, jÃ¡ recebemos a visita de ilustradores famosos, como Kevin O'Neill, da &lt;em&gt;Liga de Cavalheiros ExtraordinÃ¡rios&lt;/em&gt;, e D'Israeli, de &lt;em&gt;Scarlet Traces&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fiquei pensando que algumas experiÃªncias da GrÃ£-Bretanha eu gostaria muito de poder exportar para o Brasil. Uma delas Ã© o acesso gratuito ou com baixo preÃ§o a livros, discos e filmes para todos - tudo com dinheiro pÃºblico. A outra Ã© a de ter a minha voz ouvida nas decisÃµes da comunidade, por menores e mais irrelevantes que elas possam parecer para os demais.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/12/bibliotecas_publicas_e_a_voz_d.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/12/bibliotecas_publicas_e_a_voz_d.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 12:02:43 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Chegou o Natal</title>
	<description>&lt;p&gt;Passei trÃªs semanas de fÃ©rias no Brasil, mas parece que fiquei anos fora de Londres. Encontrei a cidade gelada, com temperaturas abaixo dos 10ÂºC, escura pela proximidade do solstÃ­cio de inverno, e jÃ¡ comeÃ§ando a ser tomada pelo Natal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;natal226d.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/natal226d.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De inÃ­cio, pensei que algumas lojas estavam apenas tentando comeÃ§ar suas vendas mais cedo, diante da crise que persiste. Mas uma rÃ¡pida olhada no noticiÃ¡rio me fez ver que o perÃ­odo das festas jÃ¡ foi, sim, oficialmente inaugurado na cidade. Na terÃ§a-feira, por exemplo, foi instalada a decoraÃ§Ã£o natalina da Oxford Street, a principal rua comercial de Londres.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Reparei entÃ£o que alguns restaurantes tambÃ©m jÃ¡ colocaram na porta cartazes se oferecendo para sediar as comemoraÃ§Ãµes de fim de ano dos escritÃ³rios. Na &lt;em&gt;Time Out&lt;/em&gt;, a BÃ­blia cultural da cidade, jÃ¡ estÃ£o listados os programas natalinos mais bacanas para se fazer, entre eles o balÃ© &lt;em&gt;Quebra-Nozes&lt;/em&gt;, o musical &lt;em&gt;Snowman&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;frost-fairs &lt;/em&gt;(tradicionais mercados natalinos) e os inÃºmeros ringues de patinaÃ§Ã£o no gelo. Nas redes PrÃªt-a-Manger e Starbucks, o menu ganhou um tom &quot;invernoso&quot;, com a entrada dos cafÃ©s com biscoito de gengibre e as tÃ­picas &lt;em&gt;mince pies&lt;/em&gt;, aquelas tortinhas recheadas de frutas cristalizadas. AtÃ© os copos eles mudaram - os desta estaÃ§Ã£o sÃ£o decorados com floquinhos de neve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Achei que tudo nÃ£o passasse da mania britÃ¢nica de planejar tudo com muita antecedÃªncia. AtÃ© ver que meus colegas aqui da Âé¶¹Éç Brasil jÃ¡ estÃ£o em grandes preparativos para uma confraternizaÃ§Ã£o.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fui vencida. Pelos prÃ³ximos dois meses, respiremos Natal...&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/11/chegou_o_natal.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/11/chegou_o_natal.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 15:11:55 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Um bom negÃ³cio Ã© a melhor forma de arte</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;warhol226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/warhol226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Andy Warhol dizia que ganhar dinheiro Ã© arte, e que um bom negÃ³cio Ã© a melhor forma de arte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse polÃªmico ponto de vista Ã© o que estÃ¡ em cartaz aqui em Londres, na galeria Tate Modern. No comeÃ§o do mÃªs, fui conferir a exposiÃ§Ã£o &lt;em&gt;Pop Life: Art in a Material World&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A exposiÃ§Ã£o Ã© uma retrospectiva de obras que desde o sÃ©culo passado provocam as reaÃ§Ãµes mais extremas - admiraÃ§Ã£o de outros artistas, mal-estar entre alguns crÃ­ticos e, principalmente, rombos milionÃ¡rios nos bolsos de colecionadores de arte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A exposiÃ§Ã£o gerou polÃªmica atÃ© mesmo antes de abrir ao pÃºblico, com direito a visita da &lt;a href=&quot;http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091001_brooke_dg.shtml&quot;&gt;Scotland Yard&lt;/a&gt; e tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em cartaz, vi algumas coisas que eu nunca esperaria ver em um museu ou galeria de arte. Alguns exemplos:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
	&lt;li&gt;uma sala inteira Ã© dedicada Ã s obras que o americano Jeff Koons criou logo apÃ³s seu casamento com Ilona Staller, a famosa ex-atriz pornÃ´ italiana Cicciolina. SÃ£o esculturas e pinturas de sexo explÃ­cito entre os dois. Koons sabia da curiosidade que o casamento entre um artista renomado e uma controversa estrela pornÃ´, ocorrido em 1991, despertou na mÃ­dia, e tratou de se aproveitar disso para ganhar dinheiro.&lt;/li&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;a americana Andrea Fraser ultrapassou qualquer limite de prostituiÃ§Ã£o da arte ou do artista. Em 2003, ela ofereceu-se para gravar um vÃ­deo de uma hora de duraÃ§Ã£o para o colecionador que oferecesse o melhor preÃ§o. Detalhe: o vÃ­deo Ã© da artista transando com o colecionador, que pagou US$ 20 mil pela obra, agora exposta no Tate.&lt;/li&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;se um bom negÃ³cio Ã© a melhor arte, o britÃ¢nico Damien Hirst Ã© provavelmente o maior artista vivo. Em setembro de 2008, mÃªs do estopim da crise financeira mundial, um leilÃ£o de obras de Hirst arrecadou 95 milhÃµes de libras (mais de R$ 260 milhÃµes). Na exposiÃ§Ã£o no Tate Modern, Hirst recriou algumas obras suas - como a famosa False Idol (foto) - mas com novos detalhes em puro ouro. Hirst confessa na exposiÃ§Ã£o que o Ãºnico objetivo do ouro Ã© encarecer suas obras ainda mais junto aos colecionadores.&lt;/li&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;false_idol466.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/false_idol466.jpg&quot; width=&quot;466&quot; height=&quot;262&quot; class=&quot;mt-image-center&quot; style=&quot;text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;um vÃ­deo com a participaÃ§Ã£o de Andy Warhol no breguÃ­ssimo seriado Barco do Amor, em 1985. No episÃ³dio, Warhol interpreta a si mesmo. Ele Ã© convidado por um cruzeiro a escolher um dos tripulantes e imortalizÃ¡-lo como obra de arte, em um retrato. A participaÃ§Ã£o de Andy Warhol tem dois objetivos: promover o artista (e encarecer sua obra) e brincar com a sua crescente reputaÃ§Ã£o de exibicionista, que faz tudo pela fama.&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;SerÃ¡ que um bom negÃ³cio Ã© mesmo arte? Eu mesmo ainda nÃ£o tenho certeza, mas nÃ£o tenho dÃºvidas de que arte ou negÃ³cio formaram uma exposiÃ§Ã£o espetacular e imperdÃ­vel.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/um_bom_negocio_e_a_melhor_form.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/um_bom_negocio_e_a_melhor_form.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 13:20:28 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>TricÃ´, restaurante e gorros personalizados</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Ver um grupo de mulheres jovens tricotando (literalmente) em algum cafÃ© ou livraria nÃ£o Ã© uma visÃ£o comum no Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso, fiquei espantada, aqui em Londres, todas as vezes em que me deparei com garotas &quot;cool&quot;, moderninhas, sacando da bolsa agulhas e novelos enquanto conversam com as amigas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;fifteen300.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/fifteen300.jpg&quot; width=&quot;300&quot; height=&quot;200&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo bem que o clima carioca nÃ£o ajuda. Calor e roupas de lÃ£ nÃ£o combinam muito. Mas eu sempre associei tricÃ´ a senhoras fofas, como a minha avÃ³, tricoteira de mÃ£o de cheia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O fato Ã© que aqui, tricÃ´ Ã© moda. HÃ¡ &lt;a href=&quot;http://www.stitchandbitchlondon.co.uk/&quot;&gt;grupos organizados&lt;/a&gt; que aceitam integrantes a partir dos 16 anos e se encontram semanalmente no centro de Londres para tricotar e fofocar. E elas ensinam de graÃ§a a quem quiser aprender.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outra prova do sucesso do tricÃ´ feito a mÃ£o na GrÃ£-Bretanha Ã© o &lt;a href=&quot;http://www.granniesinc.co.uk/&quot;&gt;Grannies Inc&lt;/a&gt;., uma loja online idealizada por Katie Mowat, de 27 anos, que vende gorros personalizados, feitos de acordo com o desenho do cliente. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em entrevista ao jornal britÃ¢nico &lt;em&gt;Telegraph&lt;/em&gt;, Mowat disse que aprendeu a fazer tricÃ´ durante o ano que passou estudando na CalifÃ³rnia. Parece que a coisa Ã© moda nos Estados Unidos tambÃ©m.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&quot;Eu dividia um apartamento com quatro meninas e todas elas tricotavam no tempo livre. Havia gente tricotando nos Ã´nibus, nas salas de aula. Julia Roberts estava tricotando, atÃ© o Russell Crowe&quot;, disse ela.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Ãºltimo adepto Ã© o chef de cozinha e celebridade internacional Jamie Oliver. Bem, nÃ£o literalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O restaurante que ele criou em Londres para treinar jovens cozinheiros, o &lt;a href=&quot;http://www.fifteenshop.net/engine/shop/index.html&quot;&gt;Fifteen&lt;/a&gt;, acaba de colocar Ã  venda, em ediÃ§Ã£o limitada, um kit de tricÃ´ (foto).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A ideia foi uma forma de aproveitar a lÃ£ dos carneiros que sÃ£o servidos, depois de maravilhosamente preparados, no restaurante. E bem a tempo para o natal.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Iracema Sodre </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/_ver_um_grupo_de.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/_ver_um_grupo_de.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 17:07:16 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>EleiÃ§Ãµes e crise</title>
	<description>&lt;p&gt;Um paÃ­s cujo poder econÃ´mico cresceu nos Ãºltimos anos e que enfrentarÃ¡ desafios enormes no futuro prÃ³ximo irÃ¡ Ã s urnas em 2010 para decidir se darÃ¡ mais um mandato ao partido que estÃ¡ hÃ¡ anos no poder ou se optarÃ¡ por mudanÃ§as no governo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;PoderÃ­amos estar falando do Brasil, mas o paÃ­s em questÃ£o Ã© a GrÃ£-Bretanha. Como o Brasil, com os oito anos do PT no poder, a GrÃ£-Bretanha tambÃ©m estÃ¡ passando por uma era da esquerda no poder. Foram doze anos de Partido Trabalhista - dez com Tony Blair e dois com Gordon Brown.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;brown_cameron226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/brown_cameron226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas o paralelo entre os dois paÃ­ses para por aÃ­. Ao contrÃ¡rio do Brasil, que parece jÃ¡ ter deixado a recessÃ£o para trÃ¡s e realizarÃ¡ eleiÃ§Ãµes em meio a um razoÃ¡vel otimismo econÃ´mico, a GrÃ£-Bretanha irÃ¡ para as urnas diante de sÃ©rios problemas na economia, como consequÃªncia da crise financeira mundial. Esta semana, &lt;a href=&quot;http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8292958.stm&quot;&gt;um instituto indicou que a economia da GrÃ£-Bretanha continua parada&lt;/a&gt;, ao contrÃ¡rio de algumas previsÃµes de que haveria uma lenta retomada do crescimento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estou impressionado como Ã© nÃ­tido o efeito da crise no dia a dia em Londres. VÃ¡rios amigos meus que moram aqui, de diversas nacionalidades, estÃ£o passando por algum tipo de dificuldade. Os que tÃªm negÃ³cios prÃ³prios lutam para manter seus clientes e orÃ§amentos. Os que sÃ£o empregados estÃ£o vendo setores inteiros fecharem nas suas empresas, rezando para que nÃ£o sejam o prÃ³ximo nome na planilha de cortes. E os desempregados sobrevivem como podem, com cada vez menos oportunidades de inserÃ§Ã£o no mercado de trabalho e uma concorrÃªncia mais qualificada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse cenÃ¡rio econÃ´mico sombrio estÃ¡ refletido no discurso dos polÃ­ticos que estÃ£o concorrendo pelo poder. Para a imprensa britÃ¢nica, esta Ã© a eleiÃ§Ã£o da &quot;big choice&quot;, a grande escolha. Mas a grande escolha a ser feita parece ser apenas o tamanho dos cortes. Ambos os principais partidos - o Trabalhista, de Gordon Brown, e o Conservador, de David Cameron - prometem reduzir os gastos pÃºblicos para evitar que o endividamento do governo aumente ainda mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como sintetiza &lt;a href=&quot;http://www.economist.com/world/britain/displaystory.cfm?story_id=14540033&quot;&gt;a revista Economist&lt;/a&gt;, o &quot;principal debate nÃ£o Ã© mais 'investimentos trabalhistas contra cortes conservadores'; sÃ£o cortes trabalhistas contra cortes conservadores'.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O efeito do discurso dos dois principais partidos Ã© desanimador para a maioria das pessoas que eu conheÃ§o. AlÃ©m de lutar por sua sobrevivÃªncia, muitos temem que a reduÃ§Ã£o dos investimentos do governo acarretarÃ¡ em outros tipos de perdas. HaverÃ¡ menos serviÃ§os prestados pelo sistema de saÃºde pÃºblica? A idade de aposentadoria subirÃ¡? A qualidade do ensino vai cair? HaverÃ¡ menos empregos no setor pÃºblico? E a parte do setor privado que depende de gastos pÃºblicos, como vai ficar? Teremos que pagar mais impostos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Claro que a Europa ainda estÃ¡ muito na frente do Brasil e da AmÃ©rica Latina em diversos indicadores socioeconÃ´micos. NÃ£o Ã© Ã  toa que imigrantes (muitos deles brasileiros) continuam vindo para Londres em busca de oportunidades, com crise ou sem crise. Mas este momento nÃ£o deixa de ser um pouco irÃ´nico para mim, uma crianÃ§a dos anos 80. Passei a minha infÃ¢ncia na &quot;dÃ©cada perdida&quot; da AmÃ©rica Latina. Agora, adulto, vejo de longe a AmÃ©rica Latina crescendo economicamente e, aqui, a Europa diante de anos de crescimento lento e incertezas.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/eleicoes_e_crise.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/10/eleicoes_e_crise.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 20:11:10 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>LicenÃ§a paternidade</title>
	<description>&lt;p&gt;O governo britÃ¢nico anunciou esta semana uma medida que estÃ¡ despertando reaÃ§Ãµes acaloradas. A partir de abril de 2011, pais terÃ£o direito a licenÃ§a paternidade de seis meses, trÃªs deles pagos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Atualmente, os pais tÃªm direito a apenas duas semanas e, as mÃ£es, a atÃ© um ano. Com a nova lei, as mulheres poderÃ£o voltar ao trabalho seis meses apÃ³s o nascimento do bebÃª e a partir daÃ­ os homens poderÃ£o exibir suas habilidades nas atividades que envolvem cuidar de um bebÃª que depende de vocÃª 24 horas por dia, como trocar fraldas, dar mamadeira, banho, colocar para dormir, etc.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;baby_crying226.jpg&quot; src=&quot;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/baby_crying226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O benefÃ­cio nÃ£o Ã© inÃ©dito e reproduz o que jÃ¡ acontece em paÃ­ses ainda mais avanÃ§ados nessa Ã¡rea, como Dinamarca, SuÃ©cia e Noruega. E ainda reflete tempos modernos, em que as mulheres dÃ£o valor Ã s suas carreiras e temem que o ano que passam fora do trabalho atrapalhe seu crescimento profissional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Assim, elas podem voltar ao trabalho tranquilas, sabendo que seus bebÃªs estÃ£o com o pai e nÃ£o em uma creche disputando a atenÃ§Ã£o com outros ou com babÃ¡s de procedÃªncia duvidosa. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas pesquisas do governo indicam que poucos homens parecem animados com a ideia de ficar em casa limpando bumbum de nenÃ©m. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estimativas prevÃªem que a adesÃ£o Ã  medida, totalmente opcional, atrai apenas um em cada dez homens. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns jornais britÃ¢nicos reagiram ao anÃºncio do governo e um deles, o &lt;a href=&quot;http://www.telegraph.co.uk/comment/personal-view/6196220/Paternity-leave-Its-not-natural.html&quot;&gt;Daily Telegraph&lt;/a&gt;, publicou um artigo de opiniÃ£o em que o autor diz que licenÃ§a paternidade &quot;Ã© algo contra a natureza masculina&quot;.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Eu achei a ideia o mÃ¡ximo e sÃ³ lamento que quando ela entrar em vigor, o meu bebÃª, jÃ¡ encomendado, terÃ¡ nascido. E vocÃª, o que acha?&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Fernanda Nidecker </dc:creator>
	<link>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/09/licenca_paternidade.shtml</link>
	<guid>http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/2009/09/licenca_paternidade.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 16:56:25 +0000</pubDate>
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